A natureza do mal na perspectiva de Agostinho de Hipona

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59780/vwcd2957

Palavras-chave:

Agostinho de Hipona, Mal, Livre-arbítrio, Vontade, Deus

Resumo

A questão do mal em Agostinho surge do desafio de conciliá-lo com a existência de um Deus bom e onipotente. Para evitar um dualismo incompatível com o cristianismo, Agostinho adota a concepção neoplatônica do mal como privação do bem, e não como uma substância ou força autônoma. O mal, portanto, não é criado por Deus, mas resulta do uso inadequado do livre-arbítrio pelas criaturas. Essa perspectiva permite a Agostinho preservar a bondade divina e afirmar que toda natureza, enquanto criação de Deus, é essencialmente boa, ainda que passível de corrupção. Além disso, ele distingue entre o mal moral, derivado das escolhas humanas, e o mal como sofrimento, visto como punição justa dentro da ordem providencial. Contra o maniqueísmo, Agostinho reforça que a vontade humana é livre e responsável por suas escolhas, negando a tese de que o pecado seria imposto por uma entidade maligna externa. Dessa forma, sua abordagem ao problema do mal refuta o dualismo e fundamenta uma concepção ética e metafísica na qual o mal, em vez de ser um princípio oposto ao bem, manifesta-se como a corrupção da ordem estabelecida por Deus.

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Publicado

2026-04-03

Como Citar

SANTOS ARISTIDES, Erike. A natureza do mal na perspectiva de Agostinho de Hipona. Inquietude, Goiânia, v. 17, n. 1, p. 208–224, 2026. DOI: 10.59780/vwcd2957. Disponível em: https://revistainquietude.com.br/index.php/inquietude/article/view/117. Acesso em: 19 maio. 2026.

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Seção

Seção Especial