Não explicar, compreender
Merleau-Ponty e os limites das ciências humanas
DOI:
https://doi.org/10.59780/atwi4398Palavras-chave:
Fenomenologia, Ciências Humanas, Hermenêutica, Compreensão, AprofundamentoResumo
Maurice Merleau-Ponty dedicou sua obra ao diálogo entre a fenomenologia e as ciências humanas, notadamente em articular as contribuições que a linguística moderna trouxe ao pensamento filosófico. “O Filósofo e a Sociologia” é um texto no qual o autor contrasta os dilemas que o método fenomenológico impõe à compreensão científica do humano e o consequente risco de determinismo e de reducionismo a que tal empreitada científica está suscetível. Neste texto, pretendemos mostrar como Merleau-Ponty articula as noções de compreensão e de explicação para esclarecer como o humano não pode ser explicado cientificamente, mas somente compreendido, revisitando a famosa distinção feita por Dilthey. Essa observação é de particular importância para as ciências humanas, por delimitar o escopo de suas possibilidades epistemológicas e, além disso, resguardar à filosofia uma tarefa específica e insubstituível de iniciação e de aprofundamento da experiência vivida do mundo.
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