Três argumentos da crítica husserliana à fundamentação naturalista da história
DOI:
https://doi.org/10.59780/wucf3226Palavras-chave:
Husserl, História, Naturalismo, Atitude personalista, Psicologia fenomenológicaResumo
Esse artigo apresenta três argumentos relevantes da crítica de Edmund Husserl à fundamentação naturalista da história e das humanidades em geral. Em primeiro lugar, o texto apresenta a identificação, pelo fenomenólogo, da inadequação da atitude objetivista às ciências humanas proposta pela perspectiva naturalista dada a abstração e a explicação causal a ela inerentes, a qual é contrastada com a atitude personalista que tematiza as relações de motivação e a constituição de sentido humano adequada aos objetos das humanidades. Em segundo lugar, o texto trata da análise husserliana da proposta naturalista da psicologia psicofísica, enquanto fundamento suficiente das ciências do espírito, e sua contraposição à ideia de uma psicologia pura de base fenomenológica como alicerce adequado para a história e as humanidades em geral. Em terceiro e último lugar, o texto descreve a crítica de Husserl, em Crise das ciências europeias, à superficialidade da abordagem factual da história e seu modelo de explicação causal, além de destacar a necessidade de uma metodologia capaz de acessar o sentido interno e motivador intrínseco aos fenômenos históricos manifestos na crosta factual. Por meio desse percurso, o artigo pretende evidenciar a presença da discussão acerca do fundamento das ciências humanas e, especialmente, da história, no pensamento husserliano.
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