Considerações sobre o capítulo “Mulher e Criança”
inteligência, trabalho e ócio
Palavras-chave:
Nietzsche, Humano, demasiado Humano, MulheresResumo
A questão da mulher ou a relação de Nietzsche com as mulheres cresceu recentemente em importância, e muito tem sido debatido sobre a existência ou não de algumas afirmações misóginas escritas pelo filósofo. Também têm sido discutidas possíveis contribuições da filosofia de Nietzsche para o debate sobre gênero e sobre teoria feminista. Neste artigo, tomarei parte no debate e analisarei os aforismos 391, 411 e 412 de MA/HH, focando minha atenção nos contrastes entre a figura da mulher e do homem, ou ainda, mulher e pessoas ativas (thätigen Menschen). Proponho um percurso interpretativo semelhante à maneira como Bosi lê Machado de Assis, i.e., a partir da distinção entre “objeto do olhar” e “modo de ver”, conectando-a com a Observação Psicológica (MA/HH, 35-37), dado que ela mostra a complexidade filosófica e literária das figuras criadas por Nietzsche. Portanto, as eventuais construções filosófico-literárias de Nietzsche não podem ser entendidas como meros reflexos ou “tipos” diretos da sociedade em que o filósofo viveu, o que ignoraria importantes detalhes, a finesse e a profundidade psicológica das sentenças. Sustento a posição de que a questão do trabalho e a questão do ócio são tomadas em sentido próprio e singular, ou seja, no contraste entre as mulheres e os homens/pessoas ativas. Diferentemente do que Diethe (1996) atribui ao filósofo, em MA/HH, Nietzsche não afirma que as mulheres sejam menos inteligentes que os homens (lugar comum de sua época).
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