Heimarmene no estoicismo antigo

O determinismo cósmico, a liberdade humana e o eterno retorno

Autores

  • Bruno Alonso UFRJ (PPGF) / Doutorando

DOI:

https://doi.org/10.59780/iryx5620

Palavras-chave:

Cosmologia, Estoicismo, Determinismo, Destino, Liberdade

Resumo

O estoicismo define a heimarmene como o elo que interliga tudo o que existe na natureza. A física dos antigos estoicos se baseia em um rigoroso determinismo, uma doutrina que compreende os eventos da natureza como delineados, de antemão, pelo logos divino. Embebidos pelos ensinamentos do “obscuro” Heráclito, os estoicos identificam o logos divino com o fogo, o princípio ativo da natureza, cumpridor dos desígnios da heimarmene. O cosmos atravessa ciclos sucessivos e intermináveis que se encerram e recomeçam. Entretanto, seria plausível assegurar a liberdade humana em um cosmos determinístico e impulsionado pelo eterno retorno? Crisipo tece argumentos audaciosos, na tentativa de desobscurecer a nebulosa relação entre destino e liberdade. Para ele, a liberdade reside na sabedoria de não importunar a afluência da natureza universal. É, aliás, o intricado desafio de se lançar nas acanhadas jornadas da história, sem resistir aos ditames do destino.

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Publicado

2026-04-03

Como Citar

ALONSO, Bruno. Heimarmene no estoicismo antigo: O determinismo cósmico, a liberdade humana e o eterno retorno. Inquietude, Goiânia, v. 17, n. 1, p. 192–207, 2026. DOI: 10.59780/iryx5620. Disponível em: https://revistainquietude.com.br/index.php/inquietude/article/view/78. Acesso em: 19 maio. 2026.

Edição

Seção

Seção Especial