Vol. 3 Núm. 1 (2012)

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Com grande fôlego trazemos a público este quinto número de Inquietude. Entrando em seu terceiro ano de existência, a revista se estabelece como um veículo de produção e difusão de ideias de jovens filósofas/os/es que, inquietas/os/es, anseiam por serem ouvidas/os/es. Esta edição é sintoma de tal inquietação, uma vez que tivemos a oportunidade de receber e selecionar, mais uma vez, um grande contingente de textos de estudantes/ies de graduação e pós-graduação das mais diversas universidades do país. Este número conta, pois, com oito artigos de autoria discente, uma publicação especial coordenada pela professora Carla Milani Damião (UFG) em conjunto com estudantes/ies do Grupo de Estudos Kinosophia, uma entrevista com o professor Vladimir Safatle (USP) e os resumos das dissertações defendidas no Programa de Pós-Graduação da UFG em 2011.

O/A/Ê leitor/a/e poderá observar no atual número uma discussão em torno do conceito heideggeriano de Dasein, onde a autora [Eliana Borges da Silva] analisa o modo como Heidegger opera a destruição, ou desconstrução, do conceito tradicional de existência, especialmente abordado pela ontologia da Idade Média. Ainda no pano de fundo fenomenológico-existencial da filosofia contemporânea, encontramos um artigo [de Aron Pilotto Barco] sobre Husserl que analisa o sentido e as diversas nuances do termo “agora” na teoria husserliana. Sabemos que a filosofia de Heidegger influenciou em certa medida não somente a fenomenologia, mas também a hermenêutica contemporânea. Neste registro, encontramos na presente edição uma abordagem [de Filipe Silveira de Araújo] sobre a experiência estética no pensamento hermenêutico à luz da filosofia de Gianni Vattimo e das interlocuções gadamerianas.

Por outros terrenos da filosofia contemporânea, a pessoa leitora se deparará com a problemática do conceito de intencionalidade em Filosofia da Mente abordada [por André Rosolem Sant'Anna] através da perspectiva de John Searle e Daniel Dennett. E, em solos mais diversos, poderá fruir da análise [de José Gilardo Carvalho] do conceito de violência-poder na filosofia de Walter Benjamin, bem como da noção foucaultiana de governamentalidade [por Leandro Alves Martins de Menezes].

Indo para a filosofia moderna, um texto [de Filicio Mulinari] sobre Kant nos convida a adentrar no período pré-crítico, onde os primeiros pensamentos kantianos já esboçavam importantes argumentos posteriores sobre o conceito e o predicado de existência. E, finalmente, temos um texto sobre Rousseau, onde o autor [Heitor Pagliaro] investiga a concepção de direito do filósofo e busca analisar até que ponto podemos qualificar sua teoria de jusnaturalista.

Na presente edição, contamos com a primeira de uma série de publicações especiais relativas ao curso proferido pelo professor Josef Früchtl na Faculdade de Filosofia da UFG em agosto de 2011. O curso ministrado baseou-se em seu livro O Eu impertinente. Uma história heroica da modernidade e foi traduzido e discutido pelo Grupo de Estudos Kinosophia, coordenado pela professora Carla Damião (UFG). O resultado deste estudo e discussão são três artigos que a Inquietude tem a honra de publicar e divulgar. O primeiro desta tríade intitula-se Modernidade, subjetividade, Hegel e o Western e aborda sobretudo a associação entre a ideia do eu filosófico à figura do herói encontrada em alguns gêneros cinematográficos.

Na ocasião do XIV Festival Internacional de Cinema Ambiental (FICA), que ocorreu na Cidade de Goiás de 26/06 a 01/07, tivemos a oportunidade de travar um instigante diálogo com o professor Vladimir Safatle da Universidade de São Paulo (USP). Na entrevista, tratamos de temas atuais, tais como a greve das/os/es professoras/es/ies das Universidades Federais, o caso Cachoeira, bem como de temas como política e cultura.

A publicação desta edição é fruto de um intenso trabalho de toda a Equipe Editorial que, aliás, foi significativamente renovada. Na edição passada nos despedimos de nossa editora executiva, Carmelita Brito, e de nosso editor chefe, Adriano Correia. Em seus lugares, respectivamente, agora contamos com a colaboração de Júlia Sebba (pelo Curso de Filosofia da Cidade de Goiás) e Adriana Delbó, da Faculdade de Filosofia da UFG. Integrantes discentes que vêm acompanhando este projeto desde a primeira edição também se despediram de nós no número passado e recebemos, então, quatro novos membros para revigorarem com suas ideias e impulsos nosso trabalho. Nossos sinceros agradecimentos a Caius Brandão, Marcela Castanheira, Renato Mendes e Wigvan Pereira pela importante contribuição com Inquietude e nossas boas vindas aos novos componentes: Heitor Pagliaro, Luana Xavier, Nádia Junqueira e José Ramos.

Este número vem a público em meio à greve que se alastra pelas Universidades Federais em todo o país. É, portanto, com dificuldades que conseguimos lançar esta edição. Por respeito às pessoas autoras que nos enviaram e confiaram seus textos e por respeito aos nossos prazos e calendários estabelecidos, publicamos este número – mesmo em tempo de negociações e reflexões políticas das pessoas docentes e servidoras das IFES. O nosso já tradicional evento de Lançamento, organizado a cada nova edição, não foi realizado na ocasião deste número devido à paralisação das atividades acadêmicas na UFG.

Enfim, gostaríamos de agradecer a todos/as/es aqueles/as/s que contribuíram para a execução desta edição. Às/os/es professoras/es/ies pareceristas que avaliaram com atenção os textos a nós submetidos, às/os docentes da Faculdade de Filosofia (FaFil) e Curso de Filosofia do Campus de Goiás pelo apoio e colaboração, à professora Carmelita que continua sempre por perto nos auxiliando nesta caminhada e, claro, às/os autoras/es que por ora publicam seus textos e aquelas/es/s que nos enviaram seus artigos. Convidamos toda a juventude inquieta para novas submissões – sem isso nosso projeto não se sustentaria.

Com um último convite, gostaríamos de encerrar este editorial, chamando a pessoa leitora para iniciar seu trajeto contemplando a figura que abre esta edição: trata-se de uma pintura, intitulada “O Problema”, de Pedro Labaig – jovem pintor que integrara nosso corpo editorial nas duas primeiras edições. A pintura nos puxa para pensar qual o sentido do filosofar sem o problematizar, qual o sentido do filosofar que não se atormenta com aquilo que nos toca. A figura nos chama a recolher sobre nós mesmas/os/es e a nos debulhar sobre aquilo que nos interpela – este é o exercício do filosofar inquietante que o/a/ê leitor/a/e fará na sequência. Boa (e inquietante) leitura!

Nos despedimos com fôlego renovado para os próximos números e encontros.

 

A Edição

Publicado: 2012-07-07

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