Vol. 4 Núm. 1 (2013)

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Com alegria e entusiasmo damos à luz a sétima edição da Inquietude. A pintura do surrealista catalão (Miró), na capa, ilustra a maternidade. Nesta edição, a figura materna que homenageamos é nossa queridíssima Júlia Sebba Ramalho Morais, editora executiva da Revista e docente no curso de Filosofia do campus da Cidade de Goiás (UFG). Em clima de fecundidade e nascimento a Inquietude celebra a abertura do seu quarto ano de atividade. A fecundidade se mostra na inquietação das/os estudantes, pesquisadoras/es, professoras/es e colaboradoras/es em geral, que contribuíram e contribuem para que a Revista se consolide como um valioso e qualificado meio de comunicação dos esforços filosóficos emergentes no cenário nacional. Este número conta com oito artigos, uma resenha e uma tradução inédita das Correspondências de 1643 entre Descartes e Elisabeth. A última seção é dedicada à publicação da última parte de Uma história heroica da modernidade: Comentários sobre O Eu impertinente de Josef Früchtl, fruto do trabalho coordenado pela professora Carla Milani Damião (UFG) em conjunto com estudantes do Grupo de Estudos Kinosophia.

Os artigos que compõem a primeira seção abrangem a pluralidade de perspectivas encontradas nas diversas linhas de pesquisa filosófica. Em Caminho rumo à universalização: A busca de paz social em Eric Weil, o autor [Daniel Artur Emidio Branco] nos apresenta as discussões desse filósofo francês (de origem alemã) do início do século XX, ainda muito pouco conhecido no Brasil, abordando temas fundamentais para os debates da filosofia moral e da filosofia política: o problema do mal, a violência, a sociedade, o Direito.

Já no artigo A felicidade segundo Sêneca [por Daniel Carvalho da Silva], temos os ainda atuais conselhos e ensinamentos morais do filósofo estoico para se alcançar a tão almejada felicidade. Em Os relâmpagos da fatalidade: Reflexões sobre o trágico a partir de Nietzsche e Shakespeare [por Eduardo Carli de Moraes] temos um exemplo da sempre esperada e rica relação entre filosofia e literatura com a análise de dois notáveis autores para a compreensão da dimensão trágica da vida humana. Com Espírito e consciência na Fenomenologia do espírito de Hegel [por Leonardo Araújo Oliveira] o leitor é conduzido ao universo hegeliano da subjetividade. A trama conceitual do texto perpassa as etapas sucessivas da consciência e a constituição do espírito em direção ao Absoluto.

Em meio aos dilemas éticos que surgem diante do inevitável avanço da ciência e tecnologia, a questão da construção de uma nova ética baseada no conceito de responsabilidade desponta. No horizonte desta concepção, a presente edição traz o artigo A convergência das responsabilidades parental e política na teoria ética de Hans Jonas [por Mayra Rafaela Closs Bragotto Barros Peterlevitz], discutindo o valor ético da responsabilidade em face às relações entre pais e filhos, e do homem público e sua comunidade. O elo entre interesse particular e violência é o ponto central da discussão em O homo oeconomicus e o estado de exceção. O autor [Guilherme de Freitas Leal] traça um interessante paralelo entre o conceito de Homo oeconomicus em Foucault e a ideia de exceção na filosofia de Giorgio Agamben.

Ao se deparar com Disciplina, controle e as novas servidões e sujeições do capitalismo [de Vladimir Moreira Lima Ribeiro] a relação entre capitalismo e subjetividade na atualidade se revela. A consolidação do capitalismo como sociedade disciplinar e seu funcionamento através do biopoder é tema trabalhado tendo como plano de fundo Michel Foucault. A mutação sofrida pelo capitalismo, que culmina na consolidação de uma sociedade de controle, e sua relação com os processos de subjetivação, é discutida através das contribuições de Gilles Deleuze. Ainda no campo da filosofia política contemporânea, Pensar o acolhimento: Uma leitura da filosofia de Jacques Derrida [por Pedro Fornaciari Grabois] apresenta um diálogo de Derrida com Emmanuel Levinas, donde se reflete sobre as noções de hospitalidade, acolhimento, cosmopolitismo, e mais, em conexão com a questão filosófica da alteridade.

Na presente edição contamos, ainda, com a resenha do livro Filosofia francesa, de François Cousset. O autor [Vinicius Oliveira Sanfelice], inicialmente, narra o contexto inusitado e irônico em que surgiu a discussão sobre uma filosofia francesa homogênea. O resultado é um profuso e enriquecedor debate filosófico contemporâneo à luz dos conceitos de desconstrução, uso e contexto.

Ainda em cenário francês, mas sob a atmosfera filosófica do século XVII, o leitor terá a oportunidade de ler em primeira mão a inédita tradução do inglês [por Marcelo Fischborn] de parte do texto das Correspondências de 1643 entre Descartes e Elisabeth elaborada pelo respeitado intérprete Jonathan Bennett. A tradução tem significativo valor didático por apresentar o conteúdo filosófico das correspondências.

Caminhando para o fechamento, encontramos a terceira parte da publicação especial coordenada pela professora Carla Milani Damião (UFG) conjuntamente com os estudantes do Grupo de Estudos Kinosophia, intitulada O Eu híbrido, Nietzsche, Foucault, a pós-modernidade e o filme de ficção científica, que tratará rica e longamente da relação existente, por exemplo, entre o conceito de Übermensch em Nietzsche e a constituição do herói no gênero da ficção científica. Esta é a última parte da série especial Uma história heroica da modernidade: O Eu impertinente de Josef Früchtl relativa ao curso ministrado pelo Professor Josef Früchtl em agosto 2011 na Faculdade de Filosofia da UFG. O curso, baseado no livro O Eu impertinente: Uma história heroica da modernidade de Früchtl, foi traduzido e discutido pelo Grupo de Estudos Kinosophia.

O convite para inquietar-se visitando o corpo de escritos da edição não pode vir desacompanhado de agradecimentos àquelas/es que tornaram possível este nascimento. Agradecimentos especiais a Fábio Ferreira de Almeida (UFG) e Carmelita de Freitas Felício (UFG), que renovam e trazem fôlego à Revista. Com o afastamento de Júlia Sebba Ramalho o lugar de editor executivo foi gentilmente ocupado por Fabio Ferreira de Almeida, que não mediu esforços na realização dos preparativos. Carmelita de Freitas Felício acompanhou os movimentos incipientes da Revista e continua a vitaliza-la com suas contribuições. Em se tratando de renovação, cumprimentamos com boas-vindas Felipe Assunção Martins e Ithana Grasciela Macêdo Barbosa, os mais novos membros da Equipe Editorial. Aproveitamos para saudar todos aqueles que contribuíram de alguma forma, para além dos membros da Revista, como é o caso de Andréia Ferreira, Rayani Melo e Frederico Assunção Martins que ajudaram na fabricação dos marca-páginas que circularão a partir de nosso lançamento.

Em ritmo de celebração e nascimento, fechamos parabenizando o curso de Filosofia da Universidade Federal de Goiás pelo seu aniversário de 50 anos. Neste cinquentenário da FaFil é aberta a primeira turma de doutorado, atestando as conquistas e presenteando os esforços da comunidade acadêmica. Que o berço da Inquietude continue a gerar luz.

Os inquietos podem aquietar-se e os quietos, inquietar-se, para tal – boa leitura!

 

A Edição

Publicado: 2013-07-12

Traduções