Vol. 3 No 2 (2012)
A Inquietude tem o prazer de anunciar o lançamento de sua quinta edição. Mais um número tomado forma demonstra o contínuo desenvolvimento ao compromisso firmado desde as raízes do projeto editorial. Desde a sua fundação, propõe incentivar, junto aos alunos de graduação e pós-graduação, um amplo espaço de incentivo à pesquisa e oportunizar visibilidade aos trabalhos de discentes das mais variadas instituições universitárias do país [e do exterior]. Para que o diálogo não se baste à produção filosófica isolada, o espaço da revista se abre para a pluralidade que a filosofia oportuniza em seus diversos caminhos, sem se esquecer do rigor e da qualificação do debate.
Prova de que a revista tem se consolidado foi o grande número de textos submetidos à seleção: o/a leitor/a tem à disposição uma variedade de temas e autoras/es. Para que as leituras sejam localizadas, os artigos serão minimamente apresentados. Menos uma resenha de cada um dos textos, mais um convite ao pasearse pelos diversos problemas e perspectivas que esta edição traz à tona.
Na primeira seção, iniciamos os trabalhos com um debate caro a toda filosofia política, Locke e a tensão entre governo e sociedade civil [por Darley Alves Fernandes]. Na tentativa de resgatar a importância de Auguste Comte na filosofia das ciências, os principais de seus conceitos são reavaliados pela/os autora/es [Denis Paulo Goldfarb; Domingos Gomes Rodrigues; Onofre Crossi Filho; Rita de Cássia Foelker] no texto A filosofia da ciência em Auguste Comte: Desvencilhando o pensamento comtiano de mal-entendidos históricos. O artigo intitulado Fusão de horizontes: Traços fundamentais da ontologia de Hans-Georg Gadamer [por Gabriela Miranda Zabeu] se compromete a trabalhar as estruturas hermenêuticas e fenomenológicas necessárias para compreender a conjuntura da ontologia gadameriana. Em seguida, no âmbito da lógica, temos a respeito da natureza de suas investigações, o artigo intitulado Sobre Tarski: Acerca da consequência lógica [por Hermógenes Hebert Pereira Oliveira]. O tema da angústia, notadamente filosófico, inaugurado nas considerações do filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard, é discutido no trabalho Liberdade e angústia em O conceito de angústia de Kierkegaard [por Jadson Teles Silva]. Por fim, completando esta primeira seção, a filosofia sartreana é abordado no artigo O projeto fundamental do para-si: Uma análise de um possível ser consciente (o em-si-para-si) no pensamento de Sartre [por Polyelton de Oliveira Lima].
Na Seção Especial, contamos com o artigo elaborado em conjunto, O eu impertinente: Romantismo, Eu agonal e filme de gângster, fruto do projeto de estudos Kinosophia, coordenado pela professora Carla Milani Damião. O artigo discute a questão do retorno do herói e do trágico na modernidade, relacionados à filosofia do cinema, foco dos estudos no grupo. Expomos na última seção, normalmente destinada aos trabalhos selecionados na Semana de Filosofia, o trabalho apresentado em 2012, Foucault genealógico: Considerações de método para a possibilidade de uma análise do poder. Neste texto, o autor [João Lourenço Borges Neto] apresenta o desenvolvimento em Foucault, sobretudo por inspiração nietzschiana do método genealógico, de condições para estabelecer um diagnóstico do poder.
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DOSSIÊ "BIOPOLÍTICA"
Desde a escolha seleta da capa do presente número, orientamos a revista ao Dossiê inspirado no "III Colóquio de Biopolítica. Violência e Estado de Exceção", que foi realizado no mês de dezembro em Goiânia. Ao Colóquio, que com sucesso objetivou dar visibilidade e consolidar as discussões que já aconteciam no grupo de estudos de Biopolítica há seis anos, ampliamos o debate e o trouxemos até a edição.
Buscando a análise da política pautada pela crise profunda do mundo contemporâneo, trazemos para o Dossiê desta edição o tema da Biopolítica: Violência e Estado de Exceção. Tal temática tornou-se muito estudada, principalmente pela obra do filósofo italiano Giorgio Agamben, influenciada profundamente por filósofos tais como Michel Foucault, Hannah Arendt, Walter Benjamin. O paradigma da discussão biopolítica encontra-se ao final de A vontade de saber, em A história da sexualidade de Michel Foucault, onde o Estado, no limiar da modernidade, inclui em sua gestão o cuidado para com a vida natural, nuda vita, através dos mecanismos e cálculos do poder estatal.
Este é o paradigma político da modernidade. O ingresso da zoé na esfera da polis, a politização da vida nua transformou radicalmente as categorias político-filosóficas do pensamento clássico. Um enigma que, de acordo com Agamben, parece ser resolvido somente em categorias biopolíticas. Nesta zona de indiscernibilidade entre política e vida, resta que o político saia de sua ocultação e restitua a sua vocação prática. A atualização do pensamento de Agamben através da convergência de Arendt e Foucault, nos faz pensar se a produção de um corpo biopolítico não seria a contribuição original do poder soberano. A exemplo da VIII tese Sobre o conceito de história de Walter Benjamin, onde “a tradição dos oprimidos nos ensina que o estado de exceção em que vivemos é na verdade a regra geral”.
Reconhecendo o entusiasmo da equipe em montar o Dossiê e na apresentação da temática, a edição segue com os textos que foram apresentados no Colóquio. Uma batalha urbana: Poder e resistência na cidade do Rio de Janeiro [por Erick Araujo de Assumpção e Fermin Roland Schramm] nos mostra como o problema da biopolítica está em profunda consonância com a realidade contemporânea. No texto Quando a linguagem vira ruído: Violência real em tempos de blá-blá-blá virtual [por Pedro Lucas Dulci], mais uma demonstração de como, subliminarmente, os espaços de exceção e seu duplo vínculo paradoxal atingem os mais variados problemas da vida humana. A relação entre os modos de subjetivação presentes no contexto do biopoder e o capitalismo contemporâneo moldam o trabalho A gestão da vida capital e a constituição do homo dispensatio [por Rogério Luis da Rocha Seixas]. A tese de Peter Sloterdijk em resposta à Carta sobre o humanismo de Heidegger fundamentam o artigo A crise do humanismo: Contribuições à biopolítica [por Wanderley J. Ferreira Jr.].
Por fim e não menos importante, apresentamos como encerramento do Dossiê a entrevista com Castor Ruiz, professor da Unisinos/RS, um dos principais estudiosos da temática da biopolítica na atualidade, intitulada A vida humana, um problema filosófico. A entrevista [feita por Carmelita Brito e Rosângela Chaves] responde a temas pertinentes a toda problemática biopolítica de nossos tempos e apresenta, com clareza didática, mas sem perder o rigor conceitual, uma boa introdução ao tema para os interessados no assunto e leitores de primeira viagem. O professor Castor esclarece questões tais como: o método genealógico e arqueológico, e daquilo que ele chama de arqueogenealógico; a sacralidade da vida humana, um dos principais assuntos de seu estudo não poderia ser deixado de lado; esclarecimentos acerca do paradoxo e da aporia dos estudos da biopolítica; a atualidade do conceito biopolítica e seus principais desdobramentos, tanto nas considerações de Foucault, quanto nas de Agamben; comissão da verdade no Brasil, memória e as ditaduras da América Latina do século XX.
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Neste ano em que a revista completará quatro anos de existência, renovando a participação dos estudantes, damos boas vindas aos novos membros, Fernando Ferreira, Leonardo Siqueira Gonçalves e Willian Bento Barbosa, que integram a equipe aos já apresentados Heitor Pagliaro, Luana Lopes Xavier, Nádia Junqueira Ribeiro e Suélen Rosa de Castro, todos de fôlego renovado para mais um lançamento. Além disso, considerando a importância de estabelecer diálogo entre revistas estudantis, informamos que a Inquietude estreitou os laços e estabeleceu parceria com a Pólemos (Revista de Estudantes de Filosofia da UnB), o que já resultou em uma profícua troca de informações em mesa-redonda realizada em Brasília, ainda em 2012.
Para publicação desta edição, mais uma vez nos utilizamos dos ares inspiradores da cidade de Goiás, e nos integramos junto aos eventos II ENEPEFIL - Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Filosofia e IV Eu Penso - Encontro dos Estudantes de Filosofia da Cidade de Goiás. Tal proposta teve o objetivo de atualizar o vínculo necessário entre Ensino, Pesquisa e Extensão, no âmbito da filosofia, aproximando ainda mais a revista de seu alvo principal, fundamentalmente discente.
Por fim, os agradecimentos àquelas pessoas que tornaram possível mais um lançamento da Inquietude. Agradecemos às/os professoras/es dos cursos de Graduação e de Pós-Graduação em Filosofia da UFG, às professoras editoras Adriana Delbó e Júlia Sebba Ramalho Morais, a toda a Equipe Editorial, ao suporte técnico de Renato Mendes Rocha e à diagramação de Pedro Labaig; às/os autoras/es dos textos, ao Grupo de Estudos de Biopolítica, que em consonância com a revista, auxiliou o encaminhamento do Dossiê, juntamente com as/os autoras/es da Seção Especial e demais membras/os e colaboradoras/es da revista. Nossos agradecimentos especiais às/os pareceristas que analisaram nossos textos; sem elas/es, esta edição seria impossível.
Convidamos o/a leitor/a ao desassossego, renovamos o convite para inquietar-se.
A Edição






