Vol. 16 No 2 (2025): Dossiê "Filosofia e Psicanálise"

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Com imenso júbilo a Inquietude apresenta à comunidade acadêmica, e demais pessoas interessadas, o dossiê “Filosofia e Psicanálise”, reafirmando a atualidade da psicanálise como ferramenta fundamental para compreender os fenômenos sociais e os modos de subjetivação no mundo contemporâneo. Como lembra Élisabeth Roudinesco em Por que a psicanálise?, trata-se de um campo que, ao interrogar o inconsciente, ilumina tanto os impasses do sujeito quanto os dilemas coletivos, políticos e culturais de nossa época. Os artigos aqui reunidos exploram essa potência crítica e interpretativa em diálogo com a filosofia, revelando a indispensabilidade da psicanálise para pensar o comportamento humano e as contradições da modernidade.

Abrindo o dossiê, Samuel Rodrigues e Evandro Cherer desenvolvem uma leitura antifilosófica em psicanálise lacaniana, mostrando como Lacan recusa a ontologia herdada da tradição ocidental e afirma que o ser existe apenas como efeito de discurso. Na sequência, Weslley Rodrigues revisita o confronto entre Descartes e Freud: enquanto o primeiro sustenta a substancialidade do sujeito, o segundo o compreende como complexo associativo e funcional, o que destaca a originalidade da psicanálise frente ao cartesianismo. Bruno Werneck aproxima Nietzsche e Freud pela via da estética do trágico, revelando como ambos captam a dissonância e a contradição como marcas centrais da modernidade. Com atenção ao simbólico, Flavia Bonfim examina o uso dos mitos em Freud e Lacan, mostrando o mito como via de transmissão conceitual e como estrutura que toca o real. Aline Brasiliense discute o tempo no inconsciente freudiano, a partir do conceito de Nachträglich, ressaltando sua temporalidade própria, não linear. Lucas Latorraca traz a metáfora do “laboratório alquímico”, inspirada em Jung e Nise da Silveira, para destacar a potência simbólica da imaginação ativa e da arteterapia. Encerrando o dossiê, Adelson Soares reflete sobre o trauma psicológico do racismo em diálogo com Fanon, Freud e Césaire, revelando seus efeitos psíquicos e as possibilidades de resistência.

Em conjunto, os artigos reafirmam a vitalidade do encontro entre filosofia e psicanálise, oferecendo à pessoa leitora um panorama plural e profundo das formas contemporâneas de pensar o humano.

 

Organização:

Prof. Dr. Felipe Gustavo S. da Silva

 

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CORPO EDITORIAL FILOSÓFICO-CIENTÍFICO (NOMINATA)

Abel dos Santos Beserra (USP, São Paulo, SP, Brasil)

Alice Parrela Medrado (UNIMONTES, Montes Claros, MG, Brasil)

Allan Mohr (UTFPR, Curitiba, PR, Brasil)

Ana Flavia Cicero Conde (UEM, Maringá, PR, Brasil)

Carlos Henrique Kessler (UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil)

Elisangela Carmo (UNESP, Rio Claro, SP, Brasil)

Fabíola Menezes de Araújo (UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil)

Fernando Cézar Bezerra de Andrade (UFPB, João Pessoa, PB, Brasil)

Marcus Vinicius Neto Silva (UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil)

Paulo José da Costa (UEM, Maringá, PR, Brasil)

Rafael Teruel Coelho (USP, São Paulo, SP, Brasil)

Robson Stigar (SEED-PR, Curitiba, PR, Brasil)

Simone Borges dos Santos (UFBA, Salvador, BA, Brasil)

Valéria de Angelo Ghisi (UP, Curitiba, PR, Brasil)

Vítor Hugo Reis dos Reis Costa (UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil)

Waldemar Magaldi Filho (IJEP, São Paulo, SP, Brasil)

Weiny César Freitas Pinto (UFMS, Campo Grande, MS, Brasil)

Publiée: 2025-11-24

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