v. 12 n. 1 (2021)

Brenner Brunetto Oliveira Silveira e Sabrina Paradizzo Senna
Apesar de ainda estarmos enfrentando um momento de dificuldade, tanto do prisma político quanto do prisma ético, econômico e social, é com grande prazer e satisfação que a Revista Inquietude lança seu mais novo volume. Nesta nova edição, temos como foco investigações relacionadas a área da lógica, porém, nela o leitor também encontrará textos relacionados a outras áreas, como a própria política.
Este volume abre com o artigo intitulado O Estatuto Ontológico-Epistêmico das Verdades Eternas Cartesianas onde Rafael dos Santos Ongaratto pretende investigar a tese de Descartes da criação divina das verdades eternas e como tal criação pode determinar a natureza metafísica e epistêmica de tais verdades. Além disso o autor procura fazer uma sondagem dos possíveis problemas relacionados a tal ideia e, também, propor uma interpretação epistêmica através da noção de “verdade contingente a priori”, noção esta que foi desenvolvida posteriormente por Saul Kripke para a lógica modal.
Em Entre “Diferença” e “Desigualdade”: A Transversalidade do Conceito de
Igualdade em Rousseau, João Pedro Andrade de Campos deseja distinguir, conforme o
próprio título diz, as noções de diferença e desigualdade no pensamento de Rousseau. Tal
distinção é importante para demonstrar os contrastes nos conceitos de estado de natureza
e de sociedade civil. Além disso, ao realizar tal distinção, o autor se guia pela ideia de
igualdade. Por fim, nota-se que através da aproximação dos homens surge a comparação
e que, através das diferenças encontradas em tais comparações, surgem também as
desigualdades, e que o contrato – realizado através da voz da vontade geral – tenta
amenizar tais desigualdades.
Em O Momento da Subsunção Como Fatalidade, os Grundisse de Karl Marx em
Perspectiva, Victor César Fernandes Rodrigues tenta elucidar a categoria da subsunção
usando os Grundisse, abordando o tema do trabalho e sua crítica. Através de tal análise,
Rodrigues constata que o valorar a subsunção como uma categoria teórico-ontológica é
de importância primordial, pois ela garante que o indivíduo, isto é, o sujeito humano, não
seja reduzido a mero trabalhador. Com isso, o autor analisa que, no capitalismo, o
indivíduo não trabalhador é um não-ser no sistema do ser, ou seja, do capital. Deste modo, a crítica de Marx não é sobre o trabalho em si, mas sobre o trabalho tal como assumido
no capitalismo, onde os sujeitos são reduzidos a meros produtores de mercadorias.
Já em O Conceito de “Número Real” em Frege, Caio Bismarck Silva Xavier busca
definir e abordar os números reais no pensamento de Frege, mais precisamente na Parte
III do Volume II de sua obra intitulada Leis Básicas da Aritmética, onde o filósofo alemão
apresenta tanto sua crítica à definição de número real vigente em sua época quanto a sua
própria definição. Tal abordagem demonstra a importância que a noção de “proporção de
magnitude” desempenha em tal definição. No entanto, em seu texto, Xavier não pretende
analisar a apresentação formal (com exceção de sua crítica ao formalismo) da teoria dos
números reais, onde Frege apresenta em detalhes sua crítica das teorias anteriores, mas
antes, ele investiga a apresentação informal, onde o filósofo apresenta a sua própria
definição.
Por fim, nossa edição finaliza com o artigo intitulado Qual o Conceito de
Analiticidade Criticado por Quine em Dois Dogmas do Empirismo?. Ozeias F. Rodrigues
pretende investigar – conforme o título sugere – a noção de analiticidade presentes em
algumas passagens-chave presentes na obra Dois Dogmas do Empirismo do filósofo
Quine. Tais passagens oferecem, nas palavras do próprio Rodrigues, modos proveitosos
de ler textos filosóficos, pois através desta noção entenderemos que muitos problemas
filosóficos podem ser respondidos quando se compreende o significado de determinados
termos ou frases de um autor, seus contextos interno e externo (como possíveis
interlocutores, etc.), e também, a leitura dos comentadores.
Apesar de estarmos nos limites do ano de 2021 e de ainda estarmos vivendo tanto
em um contexto pandêmico incerto quanto em um momento onde a ciência – em especial
as ciências humanas, como a Filosofia – enfrenta a falta de apoio dos nossos governantes
e, principalmente, o negacionismo, estamos felizes de podermos concluir este mais novo
volume, pois ele demonstra que tais obstáculos não podem calar a voz do pensamento
crítico, da reflexão, da análise, em suma, do pensamento científico. Como a maioria dos
artigos da presente edição possui foco na área da lógica, escolhemos uma obra intitulada
Victory Boogie-Woogie do pintor holandês Piet Mondrian para a capa. Esperamos que a
leitura de tais textos se mostre proveitosa.
A Equipe Editorial da Revista Inquietude.